Uso de imunoglobulina na doença de Lyme



A doença de Lyme claramente atua através de manipulação imunológica em seu hospedeiro, principalmente em suas fases mais tardias. E a forma que isso acontece de pessoa para pessoa é diferente, resultando então em diferentes apresentações clinicas da doença.

O acometimento do sistema nervoso pela doença de Lyme pode acontecer em até 15% dos pacientes, embora o número de pacientes que apresenta algum sintoma neurológico devido a doença seja muito maior. Esses sintomas neurológicos podem variar bastante, e se mostrar como:


- Paralisia facial

- Neuropatia motora ou sensitiva

- Desmielinização

- Neurite

- Meningoencefalite

- Cefaléia

- Disfunções cognitivas (concentração, pensamento ou memória)

- Alterações psiquiátricas


Alguns pacientes com esses sintomas são submetidos a coleta e exames de liquor, e caso o exame venha positivo existe confirmação laboratorial do acometimento do sistema nervoso central por doença de Lyme. Infelizmente, o inverso não pode ser considerado como ausência de doença, logo, o exame de liquor negativo não exclui definitivamente a neuroborreliose.


Além da infecção propriamente dita, existe outro mecanismo onde há acometimento neurológico. Isso acontece porque nem sempre a bactéria está realmente dentro do compartimento cerebral, e sim o próprio sistema imunológico do corpo está causando esses sintomas. Esses anticorpos têm muito mais facilidade para cruzar a barreira que protege o cérebro do que agentes potencialmente danosos, essa é proteção é chamada barreira hemato-encefálica.


Os mecanismos de auto-imunidade que a doença de Lyme causam ainda são em sua grande maioria desconhecidos, mas sabemos que em alguns casos pode levar a:


- Destruição da bainha de mielina, que é a substancia rica em gordura que protege a célula nervosa, a sua perda causa um processo chamado de demielinização.


- Atividade citotóxica mediada por linfócitos B que leva a destruição celular de neurônios.


O tratamento fundamental da doença de Lyme se baseia em antibióticos, que combatem a bactéria causadora da doença. Em casos específicos, onde existe o acometimento do sistema nervoso, podemos lançar mão de um recurso a mais para o controle da doença e dos sintomas, a imunoglobulina.


O que é imunoglobulina?


As imunoglobulinas, também conhecidas como anticorpos, são moléculas de glicoproteínas produzidas por células plasmáticas (glóbulos brancos ou leucócitos). Elas ficam circulando no plasma e atuam como uma parte crítica da resposta imune, reconhecendo e ligando-se especificamente a determinados antígenos, como bactérias ou vírus, e auxiliando em sua destruição. A resposta imune do anticorpo é altamente complexa e extremamente específica. Existem vários tipos de imunoglobulinas e cada uma possui uma função, esses tipos são:


Imunoglobulina A (IgA): é encontrada no revestimento do trato respiratório e do sistema digestivo, bem como na saliva (saliva), lágrimas e leite materno.


Imunoglobulina G (IgG): Este é o anticorpo mais comum. Está no sangue e em outros fluidos corporais e protege contra infecções bacterianas e virais. O IgG pode demorar para se formar após uma infecção ou imunização.


Imunoglobulina M (IgM): encontrada principalmente no sangue e no fluido linfático, é o primeiro anticorpo que o corpo produz quando luta contra uma nova infecção.


Imunoglobulina E (IgE): Normalmente encontrada em pequenas quantidades no sangue. Pode haver quantidades maiores quando o corpo reage exageradamente aos alérgenos ou está lutando contra uma infecção de um parasita.


Imunoglobulina D (IgD): Este é o anticorpo menos conhecido, com apenas pequenas quantidades no sangue.


Uso terapêutico da imunoglobulina


Os produtos de imunoglobulina do plasma humano foram usados ​​pela primeira vez em 1952 para tratar a deficiência imunológica primária. A imunoglobulina intravenosa (IVIG) é obtida através do plasma humano e contém as imunoglobulinas combinadas de aproximadamente mil ou mais doadores de sangue.


A IVIG é um agente imunomodulador que possui múltiplas atividades. Isso inclui a modulação da ativação do complemento; supressão de anticorpos idiopáticos; saturação de receptores em macrófagos; e supressão de vários mediadores inflamatórios, incluindo citocinas, quimiocinas e metaloproteinases. Devido a essas funções, seu uso está indicado em doenças autoimunes, idiopáticas e doenças infecciosas, incluindo a doença de Lyme.


Uso de imunoglobulina na doença de Lyme


Na doença de Lyme o uso da imunoglobulina ainda não possui indicação clara sobre qual tipo de acometimento da doença teria melhor benefício com o uso. Mas o consenso geral diz que o acometimento do sistema nervoso central e/ou periférico teria clara vantagens no uso de imunoglobulina, com melhora e até reversão dos sintomas em inúmeros casos documentados na literatura médica.


A dose indicada geralmente é de 400mg por kg de peso por dia por 5 dias consecutivos. Esse esquema pode ser usado de forma única, pode ser repetido de forma mensal ou mesmo trimestral.

102 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Glutationa