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Câmara Hiperbárica na Doença de Lyme

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Compreendendo o tratamento hiperbárico na Doença de Lyme

A Doença de Lyme (DL) é uma infecção transmitida por carrapatos, causada principalmente pela bactéria Borrelia burgdorferi, capaz de afetar de forma significativa o bem-estar físico, neurológico e cognitivo do indivíduo. A apresentação clínica é ampla e pode incluir fadiga intensa, dores articulares e musculares, febre, alterações neuropsiquiátricas, disfunções autonômicas e manifestações cardiovasculares.

 Nesse contexto, a oxigenoterapia hiperbárica tem despertado interesse como abordagem terapêutica adjuvante. Esse tratamento consiste na administração de oxigênio a 100 por cento em uma câmara hiperbárica, sob pressão superior à atmosférica. A oxigenoterapia hiperbárica, ou OH, aumenta de forma significativa a quantidade de oxigênio dissolvido no plasma, promovendo efeitos biológicos relevantes em nível celular e tecidual.

 


O que é o tratamento hiperbárico na Doença de Lyme

O tratamento hiperbárico na DL refere-se ao uso da câmara hiperbárica para auxiliar no manejo dos sintomas e das complicações associadas à doença. Durante as sessões, o paciente respira oxigênio puro em pressões que podem variar geralmente entre 2,0 e 3,0 atmosferas absolutas. Nessas condições, o oxigênio se difunde não apenas pela corrente sanguínea, mas também por tecidos com perfusão comprometida, incluindo sistema nervoso central, tecidos articulares e estruturas inflamatórias crônicas.

 A relação entre a câmara hiperbárica e a Doença de Lyme não se baseia na ideia de que a Borrelia burgdorferi seja uma bactéria estritamente anaeróbia, o que não é correto do ponto de vista microbiológico. A Borrelia é uma espiroqueta microaerofílica, com metabolismo adaptado a ambientes de baixo oxigênio e baixa tensão oxidativa. A OH não atua como um antibiótico direto, mas cria um ambiente biologicamente desfavorável à persistência bacteriana, ao mesmo tempo em que potencializa mecanismos imunológicos e reparadores do hospedeiro.

Além disso, o aumento da oxigenação tecidual proporcionado pela OH contribui para a redução de inflamação, melhora da função mitocondrial, estímulo à angiogênese, modulação imunológica e reparo de tecidos previamente lesados. Esses efeitos tornam a oxigenoterapia hiperbárica uma estratégia complementar relevante, especialmente em pacientes com sintomas persistentes, neurológicos ou inflamatórios após o tratamento antibiótico convencional.


Como a oxigenoterapia hiperbárica atua na Doença de Lyme

A oxigenoterapia hiperbárica (OH) funciona por meio da inalação de oxigênio puro em ambiente pressurizado, permitindo que o oxigênio se dissolva diretamente no plasma em concentrações muito superiores às obtidas em condições normais. Esse fenômeno melhora a oxigenação celular mesmo em áreas com circulação prejudicada.

 No contexto da Doença de Lyme (DL), esse aumento da disponibilidade de oxigênio pode interferir na sobrevivência bacteriana de forma indireta, reduzir biofilmes, potencializar a ação do sistema imunológico inato e adaptativo, além de favorecer a recuperação de tecidos inflamados ou hipóxicos. Há também evidências de que a OH reduza citocinas pró-inflamatórias e o estresse oxidativo desregulado, frequentemente presentes em quadros crônicos.

 

Principais benefícios da oxigenoterapia hiperbárica na Doença de Lyme

Redução de inflamação e dor, especialmente dores articulares e musculares associadas à DL

 Estímulo à angiogênese, com melhora da perfusão sanguínea em tecidos comprometidos

 Aceleração da reparação tecidual, com estímulo à mobilização de células-tronco e regeneração neural

 Apoio no manejo da Síndrome Pós-Tratamento da Doença de Lyme, com redução de fadiga crônica, melhora de dor persistente e alívio de sintomas cognitivos como lentificação mental, dificuldade de memória e concentração

 

A HO oferece uma abordagem multifatorial, atuando não apenas sobre o ambiente infeccioso, mas principalmente sobre os mecanismos inflamatórios, imunológicos e metabólicos envolvidos na persistência dos sintomas.

 

Estágios da Doença de Lyme e o papel da oxigenoterapia hiperbárica

 

Fase localizada inicial

 Caracteriza-se por eritema migratório, febre, mal-estar, fadiga e mialgias.

 A OH, quando utilizada precocemente como terapia adjuvante, pode auxiliar na modulação inflamatória e na recuperação tecidual, embora o tratamento antibiótico continue sendo o pilar central nessa fase.

 

Fase disseminada precoce

 Pode envolver sistema nervoso, articulações e coração, com manifestações neurológicas, artralgias migratórias e alterações de condução cardíaca.

 Nessa fase, a OH pode contribuir para redução da inflamação neural, melhora da oxigenação cerebral e suporte à recuperação funcional.

 

Fase disseminada tardia ou DL crônica

 Caracterizada por sintomas persistentes como dor articular importante, fadiga intensa, disfunção cognitiva e autonômica.

 A oxigenoterapia hiperbárica pode auxiliar no reparo tecidual e na redução da inflamação crônica, sempre como parte de um plano terapêutico individualizado.

 


Evidências científicas e considerações clínicas

Estudos observacionais e séries de casos demonstram que a OH aumenta a oxigenação tecidual e pode trazer benefícios clínicos em pacientes com DL, especialmente naqueles com sintomas neurológicos, fadiga crônica e dor persistente. Relatos clínicos descrevem melhora funcional, redução de dor e ganho cognitivo após ciclos de tratamento hiperbárico.

 Entretanto, é importante ressaltar que a OH é considerada um tratamento off-label para Doença de Lyme e não possui aprovação formal para essa indicação específica. Apesar disso, seu uso tem sido crescente em contextos clínicos especializados, com base em evidências fisiopatológicas plausíveis e resultados clínicos encorajadores. Estudos controlados adicionais ainda são necessários para definir protocolos ideais, duração e critérios de indicação.

 

Possíveis efeitos adversos da oxigenoterapia hiperbárica

Embora geralmente segura quando realizada sob supervisão médica, a OH pode estar associada a alguns efeitos colaterais. Um deles é a reação de Jarisch-Herxheimer, decorrente da morte bacteriana e liberação de mediadores inflamatórios, podendo causar piora transitória de fadiga, febre, dor ou inflamação.

Outros efeitos possíveis incluem cefaleia, sensação de cansaço, febre baixa, desconforto auricular por variação de pressão e, raramente, sintomas respiratórios leves. Em ambientes controlados, esses efeitos costumam ser autolimitados e manejáveis.

 

A oxigenoterapia hiperbárica é adequada para você?

A OH não é uma abordagem universal e deve ser avaliada individualmente. Fatores como estágio da DL, gravidade dos sintomas, comorbidades e condições clínicas associadas devem ser cuidadosamente considerados. Pacientes com doenças pulmonares específicas, alterações de ouvido médio ou outras contraindicações devem passar por avaliação especializada antes de iniciar o tratamento.

Um plano terapêutico personalizado, integrado a outras estratégias médicas, é fundamental para maximizar os benefícios da oxigenoterapia hiperbárica no contexto da Doença de Lyme.

 

Benefícios adicionais da oxigenoterapia hiperbárica

Melhora cognitiva, com ganho de clareza mental e função executiva

 Apoio à regeneração neural e recuperação neurológica

 Auxílio na cicatrização e reparo de órgãos e tecidos lesionados

 Modulação do sistema imunológico e melhora do estado inflamatório sistêmico

 Promoção do bem-estar geral em condições crônicas inflamatórias

 

Perspectivas futuras do tratamento hiperbárico na Doença de Lyme

A oxigenoterapia hiperbárica representa uma estratégia promissora como terapia complementar na DL, especialmente nos casos com sintomas persistentes. Ao melhorar a oxigenação tecidual, modular a inflamação e apoiar a recuperação metabólica e imunológica, a OH pode desempenhar um papel relevante dentro de uma abordagem integrada e individualizada.



 
 
 

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