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A ligação frequentemente negligenciada entre saúde bucal e doença de Lyme


A doença de Lyme e outras doenças transmitidas por carrapatos são frequentemente discutidas em termos de articulações, nervos e disfunção imunológica. Uma área crítica é frequentemente negligenciada: a boca.

 

A mensagem central é clara: a saúde bucal vai além dos dentes e gengivas. De uma perspectiva sistêmica, a boca desempenha um papel ativo na regulação imunológica, inflamação e sinalização sistêmica. Em alguns pacientes com doenças transmitidas por carrapatos, a inflamação bucal não resolvida pode contribuir para a ativação imunológica contínua e a recuperação retardada.

 

Isso é especialmente relevante para a comunidade de pacientes com Lyme, onde muitos atingem platôs no tratamento, apesar do uso adequado de antimicrobianos e cuidados de suporte. Identificar as causas ocultas de inflamação persistente pode ajudar a explicar por que o progresso às vezes é mais lento.

 

Como a boca se conecta ao resto do corpo

A boca é uma porta de entrada fundamental entre o mundo exterior e o sistema imunológico. Micróbios, nutrientes, toxinas e sinais inflamatórios passam pela cavidade oral e podem influenciar a atividade imunológica em todo o corpo.

 

A cavidade oral abriga um dos microbiomas mais ativos do corpo, composto por centenas de espécies bacterianas, além de fungos e vírus. Quando equilibrado, esse ecossistema ajuda a regular a função imunológica, auxilia a digestão, contribui para um fluxo sanguíneo saudável por meio da produção de óxido nítrico e protege as barreiras naturais do corpo.

 

As gengivas são uma parte importante do sistema de defesa do corpo. Quando saudáveis, ajudam a impedir que germes e irritantes entrem na corrente sanguínea. Mas se esse equilíbrio for perturbado, a inflamação na boca pode piorar e enviar sinais que afetam o sistema imunológico em todo o corpo.

 

Disbiose do microbioma oral e inflamação crônica

Doenças bucais se desenvolvem quando o microbioma passa de um estado de equilíbrio saudável (simbiose) para um estado de desequilíbrio (disbiose). Na disbiose, as bactérias protetoras diminuem, as espécies nocivas proliferam, formam-se biofilmes inflamatórios e o sistema imunológico permanece cronicamente ativado.

 

Essa alteração pode ser acelerada por fatores comuns em pessoas com doença de Lyme e outras doenças crônicas complexas, incluindo desregulação imunológica, efeitos de medicamentos, redução do fluxo salivar, deficiências nutricionais, estresse crônico e disfunção autonômica.

 

Uma vez instalada a disbiose, a inflamação oral pode se tornar autossustentável, contribuindo não apenas para problemas locais na boca, mas também aumentando a carga inflamatória geral do organismo.

 

Doença periodontal como fator inflamatório crônico

Um dos principais focos da boca é a doença periodontal, uma condição inflamatória causada por infecção que afeta os tecidos que sustentam os dentes. Ela pode progredir de uma leve inflamação gengival para bolsas profundas, perda óssea e eventual perda dentária.

 

É importante ressaltar que a doença periodontal geralmente progride silenciosamente. A dor nem sempre está presente, especialmente nos estágios iniciais ou moderados. A inflamação crônica na linha da gengiva cria uma ferida persistente com acesso direto à corrente sanguínea, permitindo que mediadores inflamatórios e subprodutos microbianos influenciem a resposta imunológica do organismo como um todo.

 

Em pacientes com doenças transmitidas por carrapatos, onde a regulação imunológica já está comprometida, esse estímulo inflamatório contínuo pode agravar os sintomas e dificultar a recuperação.

 

Patologias dentárias e ósseas que podem passar despercebidas

Alguns problemas dentários e ósseos podem não ser imediatamente aparentes durante exames odontológicos de rotina. Estes incluem infecções associadas a dentes que perderam o suprimento sanguíneo (às vezes chamados de dentes necróticos) e áreas de cicatrização óssea comprometida após procedimentos odontológicos.

 

Um exemplo disso é a má cicatrização da mandíbula após extrações dentárias, remoção de dentes do siso ou outros traumas dentários. A redução do fluxo sanguíneo e os baixos níveis de oxigênio nessas áreas podem limitar a capacidade do corpo de detectar e resolver inflamações.

 

Como esses problemas costumam ser silenciosos, os pacientes podem não apresentar sintomas, mesmo que os problemas subjacentes persistam e contribuam para a sobrecarga imunológica geral do organismo.

 

Desafios próprios

Em doenças transmitidas por carrapatos, alguns ambientes teciduais são notoriamente difíceis de alcançar para tratamentos sistêmicos. É importante observar que a cavidade oral pode apresentar os mesmos desafios, como a formação de biofilme, bolsas com baixo teor de oxigênio e redução do fluxo sanguíneo em áreas afetadas.

 

Como resultado, a terapia antimicrobiana pode reduzir os sintomas sem resolver completamente os fatores inflamatórios subjacentes, caso a doença oral não seja tratada. Isso não significa que os antibióticos sejam ineficazes, mas sim que a inflamação oral persistente pode continuar a estimular respostas imunológicas mesmo quando o tratamento sistêmico é apropriado.

 

Como a saúde bucal se encaixa no tratamento da doença de Lyme?

De uma perspectiva holística, a saúde bucal não é uma questão isolada. Faz parte de uma rede interconectada que envolve o sistema imunológico, o sistema nervoso, o sistema vascular e as vias de sinalização inflamatória.

 

Tratar doenças bucais não substitui o tratamento médico da doença de Lyme. Em vez disso, pode servir como um importante complemento dentro de um modelo de cuidado integrado, particularmente para pacientes que têm dificuldade em obter progressos duradouros apesar do tratamento adequado.

 

Por que essa informação é importante para a comunidade de Lyme?

É importante entender que a inflamação bucal não resolvida e a patologia dentária oculta podem contribuir para a ativação imunológica contínua e complicar a recuperação em alguns indivíduos.

 

Para pessoas que vivem com a doença de Lyme e coinfecções associadas, a boca pode ser uma fonte negligenciada de estresse inflamatório. Integrar a saúde bucal a uma avaliação holística pode ajudar médicos e pacientes a identificar fatores que contribuem para a doença e que, de outra forma, permaneceriam ocultos.

 

A principal conclusão não é presumir que os problemas dentários sejam a raiz da doença crônica, mas reconhecer que a saúde bucal pode ser uma peça importante do quebra-cabeça quando o processo de cura aparente estar estagnado.

 

 
 
 

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